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Simone Biles desabafa sobre desistência e abre o jogo sobre o que sentiu: ‘Minha segurança estava em risco’

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Reprodução/Instagram

Depois da enxurrada de apoio que recebeu nas redes sociais por desistir de disputar a final de individual geral da ginástica artística para “focar em sua saúde mental”, Simone Biles tirou um tempinho para bater um papo com os seguidores e responder algumas dúvidas sobre o que teria acontecido.

Nos Stories no Instagram, a ginasta abriu uma caixinha de perguntas e respondeu uma série de questionamentos não só sobre a sua saúde no momento, mas também sobre o que sentiu durante a sua apresentação.

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A americana começou dizendo que ainda sente os twisties, sensação que as ginastas têm de estarem “perdidas” no ar enquanto fazem uma pirueta, um dos fenômenos citados por ela para explicar a sua desistência. 

“Me sinto um pouco fora de sincronia em outros movimentos, mas definitivamente muito melhor do que quando dou piruetas. Às vezes, não consigo nem explicar as piruetas. De verdade, não consigo compreender como fazer a pirueta. É a coisa mais estranha e bizarra para se sentir”, contou ela.

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“Literalmente não consigo saber onde estou no ar. É o sentimento mais louco de todos, não ter uma polegada de controle sobre seu corpo. O que é mais assustador é que como não tenho ideia de onde estou não tenho a menor ideia de como ou onde vou pousar. Se vai ser com a cabeça, mãos, pés, costas…”Simone Biles nos Stories do Instagram

Biles ainda respondeu às acusações de ter sido egoísta por não ter desistido mais cedo e ter dado a oportunidade para outra ginasta. A atleta explicou que parecia estar bem antes de tudo acontecer.

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“A partir do momento que você começa as preliminares ou classificatórias, não pode ser substituída. Essas são as regras. Mas, mesmo que desse, eu aqueci e parecia em condições. Eu estava lutando com demônios, mas aqueci. Estava petrificada também”, explicou.

“À essa altura, nenhuma reserva poderia me substituir, para vocês ‘sabichões’. Nós temos quatro no time por uma razão. Decidi não competir para não colocar em risco nenhuma medalha (de qualquer cor) para as meninas/EUA e também a minha saúde e segurança”, completou ela, que não sabe quando vai voltar para as competições.

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“Infelizmente, varia com o tempo (os twistys). Normalmente para mim foram duas ou mais semanas quando tive antes. Honestamente, não existe tempo definido então tem que ser literalmente dia a dia, passo a passo”, contou.

Por fim, Biles respondeu às cobranças de que teria “desistido e abandonado os Estados Unidos durante uma competição”.

“Para todo mundo que está falando que eu desisti. Eu não desisti, minha mente e meu corpo não estão em sincronia, apenas. Acho que vocês não têm noção do quão difícil é fazer isso em piso duro/de competição e eu nem tenho que explicar porquê coloquei minha saúde em primeiro lugar. Saúde mental é saúde física”, comentou.

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“Eu não tive uma performance ruim e desisti. Já tive muitas performances ruins durante minha carreira e acabei a competição. Eu simplesmente fiquei tão perdida que minha segurança estava em risco, assim com a medalha do time. No entanto, as meninas se apresentaram e foram brilhantes no restante da competição e ganharam a prata. Rainhas! Por isso que temos quatro membros no time, porque todas nós podemos competir por equipes, não só eu. Eu também não tenho ideia de como fiquei de pé naquele salto porque, se você ver as fotos, dá para ver nos meus olhos o quão confusa eu estava enquanto estava no ar. Por sorte, eu pousei em segurança o suficiente, mas acho que vocês também não perceberam que eu deveria fazer duas piruetas e meia e fiz apenas uma e meia antes de parecer que eu fui arremessada no chão”, finalizou.

DE CORAÇÃO ABERTO

Na última quarta-feira, 28 de julho, a Olimpíada de Tóquio 2020 foi abalada pela notícia de que Simone Biles, grande estrela da ginástica artística e que tinha a expectativa de receber algumas medalhas nesses jogos, não disputaria as provas das finais individuais. Ela também já havia se retirado das finais por equipe. Um comunicado emitido pela Federação de Ginástica dos Estados Unidos informava que o motivo era médico.

Após avaliação médica adicional, Simone Biles retirou-se da competição individual geral final. Apoiamos de todo o coração a decisão de Simone e aplaudimos sua bravura em priorizar seu bem-estar. Sua coragem mostra, mais uma vez, por que ela é um modelo para tantos”, informou o Comitê Olímpico dos Estados Unidos.

Somente no final do dia, a atleta se manifestou em seu perfil no Twitter, agradecendo todo o apoio que recebeu de todo o mundo esportivo e de seus admiradores pelo mundo.

“O amor e o apoio que recebi me fizeram perceber que sou mais do que minhas realizações e ginástica nas quais nunca acreditei antes”

NA TORCIDA POR REBECA ANDRADE

Fora da disputa individual para cuidar da saúde mental, Simone Biles não escondeu sua torcida por Rebeca Andrade. A norte-americana vibrava a cada prova bem executada pela brasileira, uma das favoritas a medalha na ginástica artística nas Olimpíadas de Tóquio.

Desde a infância chamada em sua cidade de “Daianinha de Guarulhos”, a jovem de 22 anos já conquistou nove medalhas de ouro em campeonatos mundiais no solo entre 2003 e 2006.

Rebeca começou a treinar aos 4 anos no Ginásio Bonifácio Cardoso. Segundo a mãe da Ginasta, Rosa Rodrigues, sua maior incentivadora, desde pequena sempre foi muito travessa e tudo que ela fazia era pulando. A tia de Rebeca, que era funcionária pública, teve que cobrir a licença de uma outra pessoa que trabalhava no ginásio da cidade.

Numa daquelas obras do destino, justamente na semana em que a tia começou a trabalhar por lá, estavam abertas as inscrições para testes de novos atletas. Ela levou Rebeca, que na época tinha 4 anos, para se inscrever. Foi nesse dia de teste que ela levou o apelido de “Daianinha”.

Em seguida, coube à Mônica Barroso dos Anjos, técnica da equipe de ginástica de Guarulhos e árbitra internacional, descobrir o talento de Rebeca na Iniciação Esportiva. Ela treinou a jovem por um ano e meio e a encaminhou para o grupo de alto rendimento, onde Rebeca disputou competições representando Guarulhos, como o estadual, o brasileiro e até um interclubes em Cuba, em 2009.

“A Rebeca chegou com a tia no ginásio, toda tímida. Quando pedi a ela para dar um salto, logo vi um talento incrível, que precisaria ser lapidado. E foi isso que fizemos com ela na Iniciação”, disse a professora Mônica dos Anjos.

Durante o período em que permaneceu em Guarulhos Rebeca representou a cidade em inúmeras competições, entre elas o Brasileiro Infantil, quando ajudou a equipe a ficar na terceira colocação.