Teatro às 12:24

‘Ponto a Ponto – 4000 Milhas’ traz humor e ‘reflexão familiar’ ao teatro

Bruno Gissoni (Leo) e Luiz Fernando Guimarães (Vera)
Bruno Gissoni (Leo) e Luiz Fernando Guimarães (Vera) – Leo Franco/Agnews

Depois de esgotar todas as sessões da temporada carioca, a peça “Ponto a Ponto – 4000 Milhas” desembarca nesta sexta-feira, 15 de julho, em São Paulo, no teatro B32. A montagem do premiado texto da americana Amy Herzog traz Luiz Fernando Guimarães de modo surpreendente, onde interpreta Vera, uma idosa que recebe a visita inesperada do neto Léo, personagem do ator Bruno Gissoni. O texto é premiado mundo afora desde sua estreia na Broadway em 2011, sendo finalista do prêmio Pulitzer de 2013.

“Eu espero que a gente possa fazer o mesmo sucesso do Rio, aqui em São Paulo, e que os paulista possam se emocionar, assim como os cariocas se emocionaram“, disse o diretor Gustavo Barchilon.

O diálogo entre avó e neto – um jovem aventureiro que chega ao apartamento de Vera depois de passar por uma situação traumática – traz à tona temas e pontos de vista que transformam aquela relação próxima e distante ao mesmo tempo.

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Bruno Gissoni (Leo) e Luiz Fernando Guimarães (Vera)
Bruno Gissoni (Leo) e Luiz Fernando Guimarães (Vera) – Leo Franco/Agnews

“São dramas diferentes. O drama da Vera é um drama da idade, do esquecimento, já o do Bruno tem o drama da morte e da perda. Ele entra na vida dela de um modo e sai de outro totalmente diferente. Esse espetáculo é uma verdadeira sessão de terapia, é muito delicado. Todos os terapeutas que veem, me escrevem depois”, explicou Barchilon.

A montagem, estruturada principalmente a partir do diálogo entre esses dois personagens, ganha novos contornos com a entrada em cena da atriz Renata Ricci, que interpreta dois papéis na história: Rebeca e Amanda. Com a ajuda dessas duas mulheres tão diferentes, avó e neto se reconhecem em vários aspectos da vida, mesmo tendo pontos de vista divergentes.

Renata Ricci (Rebeca) e Luiz Fernando Guimarães (Vera)
Renata Ricci (Rebeca) e Luiz Fernando Guimarães (Vera) – Leo Franco/Agnews

“Acho que a peça é cheia de simbolismo. É o distanciamento entre as pessoas, então se existe tanta distância entre um neto e uma avó, imagina o resto da sociedade? Como estamos dialogando? E pós-pandemia, ela tem outro peso, outra dinâmica. Sorte que temos um diretor incrível, senão demoraríamos muito para passar a mensagem que a autora queria, porque fala de política, de distanciamento, de relação e são três universos que se encontram na casa da Vera. Além da morte, que mesmo sem ser vista, ela acaba rodeando os personagens o tempo inteiro. Então, na verdade, a gente quer que o público saia da peça e celebre a vida. O mais legal é o impacto que isso causa na família, as vovós vinham assistir e depois voltando com os netos e no pós-pandemia, ela ganha outra dinâmica, porque na pandemia, nossas vovós ficaram muito solitárias”, disse Bruno Gissoni.

“Até o nome do espetáculo ‘Ponto a Ponto’ mostra várias distâncias de relacionamento. Quando a gente chega na terceira idade, que ninguém tem o tempo de acompanhar, a distância geracional, política, do feminismo, os relacionamentos modernos, então levantamos várias questões e a cada dia de ensaio, chegamos em várias camadas e, durante o espetáculo, a gente levanta questões que não percebíamos e todo mundo acaba tendo uma referência na família. Na verdade, a piada vem daí, porque se você analisar, isso é um drama que muita gente vive ou viveu”, completou Renata Ricci.

Ponto a Ponto aborda como um assunto é visto por duas pessoas de modo oposto, onde o diretor, ao adaptar o roteiro, foi fiel às marcações da autora. No entanto, ele deixou sua marca ao colocar pela primeira vez um ator no papel de Vera.

“A Beatriz (Segall) tinha um humor muito debochado e eu queria uma pessoa que tivesse isso e uma coisa sofisticada e o Luiz (Fernando Guimarães) tinha visto meu espetáculo ‘Barnum’ três vezes e um dia a produção estava me cobrando sobre quem seria essa pessoa e eu vi o Ziembinsky de mulher e pensei: ‘Caramba, Ziembinsky, (Marco) Nanini, Ney (Latorraca), Luiz!’. Aí liguei para ele, fiz o convite, ele leu a peça e aceitou. Então, acho que chamei o Luiz pelo mesmo senso de humor da Beatriz, que, apesar de ela ser séria, ela era hilária e eu vejo isso no Luiz”, revelou.

Luiz Fernando Guimarães (Vera)
Luiz Fernando Guimarães (Vera) – Leo Franco/Agnews

A interpretação de Luiz Fernando Guimarães traz ainda outro aspecto à peça. Ele se despe de sua experiência masculina ao caracterizar-se de Vera e dar vida a uma mulher experiente que está no fim de sua jornada. Passando longe da masculinidade frágil, Guimarães se coloca no lugar daquela senhora, de suas dores, vivências e relações.

“Eu puxei pela memória afetiva que a gente tem dos tios, a minha maior inspiração foi uma senhora que mora em São Gonçalo chamada tia Lete, a gente nem chama pelo nome, pra você ver como ela já é parente sem nem ter grau de parentesco. E nela eu fui partindo para as pessoas que não têm mais paciência para a vida. O que acontece com o idoso é que todo mundo acha que o mundo dele é limitado, que ele só quer jogar dominó e baralho, mas ele tem um universo incrível. Um idoso, ele pode tudo. Então, me inspirei na família e nas pessoas e o que temos parecido com os idosos. Eu percebi que com a idade, a mulher vai ficando mais masculinizada e o homem mais feminino”, disse, Luiz Fernando.

Barchilon ainda falou da importância de se falar sobre relacionamento em uma época pós-pandemia.

“Falar de distância neste momento para as pessoas que tiveram que ficar distantes dos amigos, das famílias, acho que tem sido uma coisa bem comovente. É uma pessoa reflexiva, que você sai pensando em como é sua relação com seu neto, sua mãe, sua avó”, disse o diretor, que convocou mulheres para a equipe criativa, tais quais o cenário de Natália Lana, o figurino de Graziela Bastos e a produção executiva de Graziele Saraiva, para citar algumas.

“Era uma grande preocupação minha, porque como o personagem é feminino e eu chamei um homem para fazer, eu pensei que tinha que trazer esse poder feminino. Eu tenho uma alma feminina, então a identificação vem mais fácil”, disse.

“Ponto a Ponto – 4000 Milhas” fica em cartaz em São Paulo entre 15 de julho e 21 de agosto no Teatro B32.

Bruno Gissoni (Leo) e Renata Ricci (Rebeca)
Bruno Gissoni (Leo) e Renata Ricci (Rebeca) – Leo Franco/Agnews

A peça

O que distancia duas pessoas? E o que as aproxima? Por meio do diálogo entre Vera (Luiz Fernando Guimarães), uma idosa que vive sozinha na cidade grande, e Léo (Bruno Gissoni), um jovem que gosta de se aventurar de bicicleta pelas montanhas, o público percebe o que aproxima e o que distancia avó e neto, podendo transpor os debates para além da peça.

Tópicos como relações familiares, política, idade, morte, luto, distanciamento e solidão estão presentes na relação mais próxima que Léo passa a ter com sua avó Vera depois de chegar de surpresa em sua casa. Na verdade, o jovem está vivendo um trauma e estar ali o ajuda a suportar esse momento difícil. Já Vera se incomoda com a idade que traz certas consequências à sua vida solitária. A chegada inesperada do neto a faz perceber que gosta de estar ao lado dele, apesar de ter seu cotidiano totalmente modificado com aquela presença.

Escrita por Amy Herzog, 4000 Miles (nome original) teve sua primeira montagem nos Estados Unidos, na Broadway, em 2011. Em 2013, foi finalista do Prêmio Pulitzer na categoria Drama. No ano anterior, foi vencedora do Obie Award. O espetáculo já foi montado em diversos países e chega ao Brasil com roteiro adaptado e direção de Gustavo Barchilon.

Elenco de Ponto a Ponto - 4000 milhas
Elenco de Ponto a Ponto – 4000 milhas – Leo Franco/Agnews

Equipe Criativa:

Texto: Amy Herzog

Direção Geral: Gustavo Barchilon

Cenário: Natália Lana

Figurino: Graziela Bastos

Design de Som: Gabriel D’Angelo

Desenho de Luz: Maneco Quinderé

Visagismo: Feliciano San Roman e Dhiego Durso

Assistente de Direção: Guilherme Logullo 

Diretora Residente: Lana Rhodes

Estagiária de Direção: Isabel Castelo Branco

Tradução: Andres Santos e José Paulo Fiks

Roteiro adaptado: Gustavo Barchilon

Equipe Produção:

Diretor de Produção: Thiago Hofman

Produção Executiva: Graziele Saraiva

Produção Local: Gerardo Franco

Assistente Produção: Leandro Leal e Renata Stilben

Estagiária Produção: Juliana Brigido

Coordenação Financeira: Thamilles França

Coordenação de Projeto/Jurídico: Natália Egler

Serviço:

Onde?

Teatro B32

Av. Brg. Faria Lima, 3732 – Itaim Bibi, São Paulo – SP

Quando?

De 15 de julho a 21 de agosto de 2022

Horários: sexta e sábado às 20h30 e domingo às 19h

Valores: Ingressos a partir de R$ 30,00 (meia entrada) 

01) PLATEIA VIP (Fila A até D) = R$ 140,00 Inteira / R$ 70,00 Meia

02) PLATEIA Superior 1 (Fila E até J) = R$ 120,00 Inteira / R$ 60,00 Meia

03) PLATEIA Superior 2 (Fila K até O) = R$ 100,00 Inteira / R$ 50,00 Meia

04) BALCÃO 1 e 2 (FUNDOS) = R$ 80,00 Inteira / R$ 40,00 Meia

05) BALCÃO 1 e 2 (LATERAIS – Visão Parcial) = R$ 60,00 Inteira / R$ 30,00 Meia

Compras via internet:

teatrob32.byinti.com/#/event/ponto-a-ponto-4000-milhas

Vendas na bilheteria do Teatro:

Terça a Sexta – 13h às 20h

Sábados e Domingos – 17h às 20h (em dias de espetáculo)

Descontos clientes PORTO SEGURO: 20% (não é aplicado para MEIA entradas):

Via Internet: O código de desconto deve ser resgatado no Porto Plus e utilizado no momento a compra para validação.

Bilheteria do teatro: Mediante comprovação de carteira de identificação do seguro ou cartão de crédito Porto Seguro Bank.

Duração: 70 minutos

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