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Gloria Maria fala de filhas e o preconceito: “Nada blinda preto de racismo”

Imagem: Reprodução/YouTube/Roda Viva

Na última segunda-feira, 14 de março, Gloria Maria foi a grande entrevistada do tradicional programa “Roda Viva”, da TV Cultura. Com uma carreira no telejornalismo – são mais de 40 anos – consagrada, ela avaliou o trabalho e a vida pessoal em sua primeira sabatina de perguntas na atração. Sem freios, ela foi enfática ao comentar sobre racismo e como isso já afetou suas filhas Maria e Laura, de 14 e 13 anos respectivamente.

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“Isso não vem da criança, isso vem da família. O racismo é uma coisa que você vê em casa. Quando ele [amiguinho] falou, queria machucar. E a maneira que tinha para machucar era ofender racialmente. Isso que acho uma coisa trágica. Se ele sabe que chamar de macaca é uma ofensa racial, é porque foi ensinado”, disse a apresentadora do “Globo Repórter”. 

Segundo a jornalista, a mais nova ouviu que “a cor dela era feia”, enquanto a filha mais velha escutou algo como “você, sua macaca, não fala nada”. Os casos ocorreram em “escolas de elite” e foram ditos por colegas de classe. 

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Em outro momento, Gloria citou a solidão da mulher negra e como o racismo é um violência constante e presente que nem mesmo a fama pode detê-la.

Nada blinda o preto do racismo, ainda mais a mulher preta. O homem preto não quer a mulher preta. Você precisa aprender a se blindar da dor. Se você for esperar o ‘blindamento’ universal, estará perdida. Você tem que fazer com que a vida te faça aprender a se blindar.

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ENCERRANDO COM CHAVE DE OURO

Dona de um passaporte bem recheado, ou melhor, vários passaportes recheados, Gloria Maria já visitou mais de 160 países, seja por trabalho ou turismo, mas engana-se quem acredita que ela quer parar por aí. A repórter ainda quer desbravar novas atmosferas.

“Tô querendo ir para Marte numa dessas maquinas aí. Seria um grande presente da Globo, tomara que tenha algum poderoso ouvindo a gente”, brincou. “Se tiver alguém ouvindo, deixa eu ir, seria minha grande matéria final.”

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O assunto surgiu quando Gloria foi perguntada sobre ter sofrido censura. Sem pestanejar, ela concluiu: “Censurada eu nunca fui porque nunca dei tempo pra censura. Nunca ninguém me falou: ‘Isso você não pode’. Tem umas coisas que eles acham falta de juízo , coisas perigosas”, contou, se referindo ao desejo de ir à Marte.

TUMOR

Em 2019, a jornalista passou por uma cirurgia de emergência para retirar um tumor do cérebro. Apesar do susto, tudo deu certo e ela contou que a situação não a deixou com medo.

“Não tive medo, eu não pensei na possibilidade do fim, nem por um segundo. Eu sei que eu estava viva, com o diagnóstico de um tumor no cérebro. Se eu não tivesse descoberto, ele me mataria em 15 dias. Ele criou um edema em volta e esse edema inflamou e me fez ter uma convulsão – que não deixou sequelas. Eu tinha 30 ou 40% de sobreviver e 20 de sobreviver sem sequelas, mas não tive medo porque a vida é isso”, disse ela, firme.

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Não consigo viver pensando no pior, mas também não penso no melhor, pense no que é a vida e a vida é assim, pra ser vivida e as vezes ela é bonita.

Na época, Gloria ainda recebeu uma ligação especial. Como revelou, Roberto Carlos foi a primeira pessoa que a ligou após a cirurgia. “Quando eu tirei meu tumor, depois de dois dias na CTI, incomunicável, eu estava saindo de maca, tocou o telefone. Era o Roberto Carlos. Ele foi a primeira pessoa que eu falei e ele só dizia: ‘Glorinha, estou orando por você. Você vai sair dessa, não se preocupe, não vai ser um problema. Você vai sair’. E eu não sabia o que falar, eu não conseguia falar.”

Quando chegou no quarto, ele me ligou de novo perguntando o que eu precisava e eu disse que não precisava de mais nada porque ele tinha me dado o que eu precisava: amor e carinho.

A REPORTAGEM QUE VIROU MEME

No programa, ela ainda lembrou da vez que, durante a produção de uma reportagem sobre a Jamaica em 2016, precisou experimentar maconha. O trabalho acabou virando meme entre internautas e é lembrado até hoje.

“Ele [o chefe da tribo rastafari] achou que eu não ia aguentar porque ele foi malandro, queria me ver dura. Só que eu não ia cair. Quando ele me deu, ele apertou, bateu, pois eu puxei duas vezes e aguentei”, brincou.

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JEITO ÚNICO

Sem medo de se jogar, como fazer uso de maconha em outro país pode muito bem exemplificar isso, Gloria classificou o seu jornalismo como algo diferente devido a abordagem que faz, mais humana.

O que me interessa, sempre me interessou, é gente, cultura, histórias. Minhas matérias são feitas a base do sentimento, do ser humano. Quero conhecer almas, me preocupo com emoções.

“Eu comecei com o crescimento da TV. Eu não tive que aprender. Comecei sem que o repórter aparecesse, eu não tinha nenhuma referência. Então, eu fui criando o meu jeito, como outros foram também. Nós, que fomos do núcleo inicial, cada um teve a liberdade de criar o seu próprio estilo”, explicou.

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