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BTS: O impacto do ARMY em questões sociais

Divulgação

Mais de 59 mil reais, essa foi a marca atingida por fãs do BTS em campanha voltada à crise em Manaus com a falta de insumos para o cuidado de pacientes infectados pela Covid-19 e também com outras doenças, em janeiro deste ano.

O período conturbado ficou marcado pela escassez de oxigênio, porém, itens básicos como luvas descartáveis também tornaram-se raras. Assim, a conta no Twitter “#ARMYHelpThePlanet” decidiu abrir uma vaquinha on-line com o valor estimado de R$ 30 mil. O dinheiro foi dado para a ONG “Moradia e Cidadania” do Amazonas, que ficou responsável em realizar as compras e distribuição.

No entanto, o fandom do septeto sul-coreano não para e sempre estão, ao redor do mundo, engajados nas mais diversas causas sociais e humanitárias, seguindo a essência do grupo musical, que além de muitas composições inspiradoras, também está por trás de ajudas importantes, desde a questão racial a violência infantil.

Sendo assim, confira abaixo 5 eventos marcantes que receberam as mãozinhas do ARMY, o fandom do BTS:

Tira o título

 

Ainda este mês, mais precisamente no dia 13 de maio, o “#ARMYHelpThePlanet” construiu uma thread, ou seja, uma sequência de tweets bem explicativos sobre como tirar o título de eleitor no Brasil – o qual pode ser obtido a partir dos 16 anos.

Usando a tag “#TiraOTituloARMY”, lançada em abril, a conta também incentiva a participação dos jovens na próxima eleição nacional, que acontece em 2022. A principal escolha será para o novo Presidente.

Segundo o perfil, as atitudes políticas dos integrantes do BTS são uma fonte de inspiração, já que eles participam das eleições na Coreia do Sul, onde o voto é opcional, independente da idade. 

ARMYS contra o racismo 

 

No ano de 2020, os Estados Unidos viu uma onda nacional de luta antirracista após um polícial matar George Floyd. Assim, o fã-clube propôs combater qualquer ataque racista que emergisse nas redes sociais. Com a hashtag “#BlackLivesMatter”(vidas negras importam) em alta, muitos grupos racistas iniciaram um motim e levantaram a tag “#WhiteLivesMatter” (vidas brancas importam).

Dessa forma, os fãs da banda se juntaram com os fãs do Monsta X, entre outros fandoms, e começaram a postar vídeos de seus cantores favoritos (chamados de “fancams”) usando a tag racista, com o intuito de ocultar as postagens preconceituosas e derrubando as manifestações contrárias ao “Black Lives Matter”.

Um app feito para denunciar supostos atos “violentos” em protestos ocorridos na cidade de Dallas (EUA) também foi derrubado, ou seja, saiu do ar graças às ARMYS. A polícia da cidade divulgou o aplicativo no Twitter, à época:

“Se você tem vídeos de atividades ilegais em protestos e quer compartilhá-los com a polícia, você pode baixar o nosso aplicativo iWatch Dallas. Você pode permanecer anônimo em sua denúncia”. Assim como feito na hashtag, os fãs de K-pop utilizaram das “fancams” para inundar a ferramenta com um conteúdo totalmente fora do contexto e ajudando na continuação dos protestos.

SOS Pantanal

 

Em 2020, o Pantanal brasileiro sofreu com o maior incêndio da história da região. Segundo o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), em setembro do ano passado, foram identificados 15.756 focos de calor no Pantanal. Antes disso, o maior número tinha sido registrado em 2005, 12.536 focos.

Muitos animais e boa parte da vegetação foi devastada. Para contribuir positivamente de alguma forma, as ARMYS abriram um perfil de um site para a arrecadação monetária com o intuito de contribuir para a logística do "Instituto Homem Pantaneiro" em combater às queimadas, por meio da reforma de uma instalação para os brigadistas, além da formação e contratação de outros e do financiamento de equipamentos de proteção. A ajuda contou com a participação de quase 2 mil pessoas e arrecadou R$ 52.945.

O suporte foi tão significativo que a campanha foi indicada e venceu na categoria ambiental do 1º Prêmio do Financiamento Coletivo realizado pela Benfeitoria — organização lançada em 2011 que já reuniu quase 10 mil projetos desde a sua criação.  Após os 10 anos em funcionamento, a instituição decidiu criar a premiação para "reconhecer, divulgar, celebrar e honrar toda a potência coletiva".

Boicote a Donald Trump

 

Com a popularidade caindo durante a pandemia e o democrata Joe Biden à frente das pesquisas da corrida eleitoral dos Estados Unidos no ano passado, o ex-presidente Donald Trump necessitava resgatar sua força, e apenas o povo estadunidense poderia dar isso a ele.

Dessa forma, em Tulsa, no estado de Oklahoma, era esperado um comício para o candidato com 19 mil pessoas, a capacidade máxima da arena municipal.

Não ao preconceito

 

Após ganhar sua própria edição do programa "MTV Acústico" no  dia 23 de fevereiro, o grupo de K-pop BTS recebeu críticas do radialista alemão Matthias Matuschik, da rádio "Bayern3", focada em música pop. O apresentador fez comentários negativos sobre o cover de "Fix You", sucesso do Coldplay, realizado pelo BTS.

De acordo com o Matuschil, o grupo seria ruim como o vírus da Covid-19 e gostaria de ser vacinado contra eles o quanto antes. Em trecho compartilhado nas redes sociais, ele diz: “Nada contra a Coreia do Sul. Você não pode me acusar de xenofobia somente porque eles são de lá. Eu tenho até um carro da Coreia do Sul.”

As RMYS ficaram indignadas e rapidamente tornaram as hashtags "#Bayern3Racist", "#RassismusBeiBayern3" e "#RacismIsNotAnOpinion" em assuntos mais comentados do Twitter.

Exigindo um pedido de desculpas ao grupo por parte da rádio alemã, os fãs compartilharam informações e se organizaram para alertar a agência sul-coreana Big Hit (Atualmente HYBE Labels), responsável pelo BTS. A Bayern3, então, emitiu um comunicado alegando que as declarações feitas pelo radialista não devem ser consideradas como ato de racismo ou xenofobia, mas sim, opiniões pessoais do autor.

“Esta é sua opinião pessoal, independente da origem e do background cultural da banda”, explicou. “Voltaremos a trabalhar no assunto em detalhes com Matthias e a equipe nos próximos dias”, concluiu.