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Tóquio 2020: Judoca Mayra Aguiar garante mais um bronze para o Brasil

Foto: Breno Barros/rededoesporte.gov.br

O quadro de medalhas do Brasil em Tóquio tem mais um bronze. A judoca Mayra Aguiar conquistou mais uma medalha para sua carreira nesta quinta-feira, 29 de julho, na arena lendária Nippon Budokan. Ela derrotou a sul-coreana Hyunji Yoon, na categoria até 78kg, e se tornar uma única brasileira dos esportes individuais a ganhar três medalhas olímpicas em disputas individuais; ela conseguiu o bronze nas edições de Londres, em 2012, e Rio de Janeiro, em 2016. Agora, ela faz história novamente com sua terceira premiação em Olimpíadas.

Mayra classificou-se para a repescagem do judô até 78 kg nas Olimpíadas de Tóquio-2020 após ser derrotada pela alemã Anna-Maria Wagner, atual campeã do mundo, nas quartas de final. Assim, ela deu adeus ao sonho de conquistar seu primeiro ouro. Anteriormente, nas oitavas, a gaúcha venceu com tranquilidade a israelense Inbar Lanir. Ela dominou desde o in

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Apesar disso, a judoca de 29 anos se concentrou para voltar com tudo na repescagem, onde se enfrentou a russa Aleksandra Babintseva. Ela venceu no tempo regulamentar após sua adversária receber três punições (shido) da arbitragem e ser eliminada.

CIRURGIAS, DOR E GLÓRIAS

A judoca brasileira Mayra Aguiar conquistou seu terceiro bronze em Jogos Olímpicos ao derrotar a coreana Hyunji Yoon, mas sua trajetória no esporte começou muito antes disso. Ainda criança, quando tinha seis anos, seus pais resolveram que ela deveria fazer alguma atividade física e acabaram matriculando a menina em aulas do esporte. Desde então, mesmo fazendo também outras atividades, o judô acabou conquistando o coração da pequena gaúcha de Porto Alegre.

Em novembro do ano passado, Mayra passou por cirurgia provocada por lesão no ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo. O tempo de recuperação colocou sua participação nos Jogos de 2021, o quarto de sua carreira, em dúvida. Por causa da contusão, da cirurgia e da pandemia, Mayra ficou ao todo 16 meses sem competir. Foi a sétima operação a que se submeteu. Isso não foi nada comparado a sua trajetória de vida.

“Estou bem emocionada. Acho que é a conquista mais importante para mim. Foi bem difícil esses últimos anos. Não aguentava amis fazer cirrugia, estava muito cansada. Tive medo, tive angústia. Eu continuei, acreditei por pior que estivesse. Fizemos o nosso melhor. Então, estou bem emocionada. Tento me acalmar, mas está sendo muito importante isso para mim”, declarou.

Aos 11 anos Mayra começou a treinar e competir no clube em que está até hoje, Sociedade de Ginástica de Porto Alegre (Sogipa). Disputou por lá o seu primeiro campeonato brasileiro aos 14 anos já fazia parte da Seleção Brasileira Junior.

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Em 2006, aos 15 anos, conquistou sua primeira medalha em Campeonatos Mundiais Junior de judô, um bronze, e nos anos seguintes conquistou também a prata e o ouro. Em 2008, com apenas 17 anos, integrou a Seleção Brasileira adulta na Olimpíada de Pequim. Daí em diante ganhou cada vez mais destaque no cenário mundial.

Suas primeiras medalhas no Campeonato Mundial foram a prata em 2010 e o bronze em 2011. Em 2012 Mayra chegava à Olimpíada de Londres-2012 com uma carreira bem mais consolidada e medalhas em campeonatos mundiais. Mais experiente, a judoca foi em busca da medalha olímpica. Derrotada pela americana Kayla Harrison na semifinal, Mayra não se abalou e conquistou o bronze ao derrotar por ippon a holandesa Marhinde Verkerke. 

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Após conquistar a medalha de bronze no judô das Olimpíadas de Tóquio e se tornar a primeira atleta brasileira a acumular três premiações olímpicas em competições individuais, Mayra Aguiar ainda tem uma chance de superar outra marca formal Jogos.

A gaúcha pode fazer sua estreia na competição pelas equipes do judô. Se a comissão técnica realmente indicada por Mayra e o grupo garantir uma medalha, ela vai superar uma ex-jogadora de vôlei Fofão e se tornará a maior medalhista olímpica do Brasil.

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JUDÔ LIDERA HISTÓRICO DE MEDALHAS

O judô segue se mantendo sóbrio como o esporte que mais conquistou medalhas para o Brasil na história das Olimpíadas. Com as duas conquistadas pela modalidade até aqui em Tóquio já são 24, sendo quatro de ouro, três de pratas e 17 de bronze.

Antes de Mayra Aguiar, uma equipe brasileira havia conquistado um Japão nos Jogos na capital do gaúcho Daniel Cargnin, na categoria até 66kg.

Desde 1984 o Brasil conquista ao menos uma medalha na modalidade em todas as Olimpíadas. O ano mais vitorioso foi em 2012, em Londres (ING), com quatro (um ouro e três bronzes). Na Rio-2016 foram três (um ouro e dois bronzes).