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Gil do Vigor ganha discurso de eliminação de Pedro Bial

Pedro Bial entrevista Gilberto Nogueira

Pedro Bial entrevista Gilberto Nogueira (Foto: Reprodução TV Globo)

Nesta quinta-feira (10) o programa “Conversa com Bial” recebeu Gilberto Nogueira, que falou, entre outras coisas, sobre o lançamento de seu livro “Tem que Vigorar”. O economista contou sobre ser militante, sobre mainha, Lucas Penteado e o PhD nos Estados Unidos. E para começar, Pedro Bial brincou fazendo um discurso de eliminação, lembrando seus tempos de apresentador do BBB.

“Olá. Hoje eu primeiro quero falar de mim. De quantas vezes eu fui um brinquedo nas mãos dele. E de como ele entendia as coisas que eu dizia, que tanta gente fazia não entender. Como quem diz que não entende história em que sapo vira príncipe. Pois bem, por falar em sapo e príncipe chegou a hora do meu anúncio.

A gente meio que se desencontrou. Quando você chegou, eu já tinha ido. Mas é como se a gente tivesse brincado juntos, porque brincamos a mesma brincadeira, no mesmo jardim. No Jardim em que deitei algumas sementes e você veio a florescer, a desabrochar lindão, exuberante. Nesse jardim a que todo mundo gosta de assistir para experimentar o gosto de um ódio, sem consequências aparentes, você foi plantar a semente do perdão. Não é pouca coisa não. Foi como o Super Homem perdoar a criptonita. E assim com superpoderes do perdão, onde tantos buscam fama, fortuna e tantos outros nomes da ilusão, você encontrou no BBB a salvação. Por isso, agora, aqui, eu tenho que anunciar: Gil do Vigor você está iluminado!”, falou para um Gilberto que foi às lagrimas de emoção.

“Tenho discurso do Bial”, comemorou ele.

“Acho que você é o único que vai ter o discurso do Tiago e do Bial. Vigorou”, lembrou o apresentador.

Explicação

Na sequência, Bial foi destrinchando seu texto e pedindo para que o pernambucano fosse explicando. Começou com o trecho em que fala que ‘fui um brinquedo em sua mão’.

“Durante muito tempo eu sempre fui fã do Big Brother e especificamente de como funcionava. Achava que tinha o poder de ser Pedro Bial. Me inspirei nos teus discursos pra brincar com meus brinquedos e me achava no poder, no direito de fazer discursos e de guiar aquele jogo que eu criava. Eu achava extremamente interessante. Não tinha essa desenvoltura, mas eu tentava”, lembrou Gil.

“E quando foi sapo e príncipe?”, perguntou Bial.

“Fui sapo durante muito tempo. Não entendia o meu valor. Quando eu não tinha orgulho de ser quem eu sou. Quando eu coloco pra fora e aceito ser quem eu sou aí o príncipe apareceu”, respondeu.

Perdão

O apresentador quis saber sobre o momento de semear o perdão que Gil tem vivido.

“Acho que eu tenho uma dívida comigo. Independente do que as pessoas faziam comigo, eu não me aceitava. Achei que tinha vindo com erro. Que por algum motivo Deus escolheu para que eu tivesse características que não eram aceitas por ele. Me machuquei muitas vezes, não aceitando quem eu era e me subestimando e me colocando pra baixo. Eu precisei me perdoar por essa aceitação durante tanto tempo. Por tanto mal que acabei fazendo a mim mesmo. E me perdoando acabei perdoando outras pessoas, como o meu pai” lembrou ele. E seguiu em sua autoanálise.

“Durante dois anos eu tentei aplicar para o PhD e não consegui ser aprovado. Como acredito nos planos desígnios de Deus, comecei a me questionar por quê. E eu lembrei de algo, que durante muito tempo eu queria ir para o PhD não só porque eu amo a educação e o estudo, mas porque eu também acreditava que ia ficar livre. As pessoas que ensinei durante a minha missão, não vão estrar próxima para me acompanharem. Minha família não vai estar próxima para verem as coisas que estarei fazendo. Então, em outro país, eu vou ser livre pra de fato ser quem eu sou, e as pessoa não vão estar perto pra julgarem”, explicou.

“Esse país não precisou ser os Estados Unidos. Foi o país chamado BBB”, lembrou Bial.

Militância

“Tem vocação para ser um militante LGBTQIA+?”

“Não vou dizer que tenho competência profissional e acadêmica pra me denominar um militante, porque exige uma pesquisa. É toda uma escola de militância. Eu acredito que eu falo o que eu vivo. Falo o que eu sinto e o que eu acho que é certo. Não sei se denominaria militância. Denominaria viver na pele. Saber o que é errado e explanar isso. Não me contento em ser só um exemplo. Me contento em continuar falando o que acho que é certo. Durante muito tempo eu quis gritar. Eu berrava e ninguém ouvia. Meu papel é fazer com que vozes iguais a minha sejam ouvidas e com mais vigor”, revelou.

Veja+: Gilberto entrevista sua mãe na Parada do Orgulho LGBTQIA+

Mãe Heroína

Sobre o livro ter sido lançada de forma muito rápida, Gil contou que já tinha muita coisa escrita desde a época da igreja, que escrevia muito. Na obra, o pernambucano tem um espaço especial dedicado a sua mãe Jacira.

“Minha mãe já precisou fazer muitas coisas. E uma, de fato, foi se sujeitar a envolver com pessoas pra de fato trazer comida pra dentro de casa. E isso me dói muito. Minha mãe nunca escondeu. Ela sempre foi muito aberta comigo e com minhas irmãs. Ela falava: ‘Eu faço para que vocês possam estudar. Então valorizem o que estou fazendo’. E me doía muito. Minha mãe trabalhou em escola e ela pegava merenda pra gente comer também. Foi muita garra e sofrimento que minha mãe precisou passar”, disse.

E sobre a aproximação com o pai, Pedro Bial questionou se seria mais difícil perdoá-lo ou aceitar que não vai conseguir mudá-lo.

“Dentro do programa eu consegui liberar o perdão. Tive uma experiência muito mágica quando eu ouvi a música da cracolândia e aquilo me tocou muito. Quando reencontro com ele meu coração está muito leve, porém é complicado. Sei que ele precisa de um tratamento e tudo o que a gente passou não vai ter como mudar. Nossa relação não tem como mudar da noite para o dia. É uma história que se perdeu. Uma relação de pai e filho que não aconteceu. O tempo que perdemos a gente não vai conseguir reconstruir. Acredito que a gente nunca vai conseguir ter uma relação plena de pai e filho com ele. Isso me dói muito”, explicou.

Beijo em Lucas

Gilberto lembrou o beijo com Lucas Penteado no “BBB21” e que agora são apenas bons amigos.

“Mas é só ele chegar perto que eu fico nervoso. Eu acredito que as pessoas precisavam ver o que é o sentimento surgindo de verdade. Acho que muitas pessoas julgam, mas nunca tiveram esse contato com pessoas simples, normais que simplesmente se gostam e querem se beijar. É a questão do ‘nossa, é assim? Acredito que foi uma experiência boa, porque muitas pessoas viram como algo normal, porque é algo normal. Acredito que exista muito medo, muita preocupação. Quanto mais você dá palco para as pessoas questionarem, elas vão questionar. Ninguém tem direito de dizer aceito ou não aceito”, revelou.

Estudos

O apresentador quis saber se ele iria mesmo largar tudo e fazer seu PhD nos Estados Unidos em setembro.

“Amo a academia. Jamais largaria meus estudos por nada. Um milhão, 100, 200 milhões eu não largaria. Posso ir para Davis e ser jubilado. Reprovar a disciplina e o povo dizer: ‘Eu não quero tu não peste, volte pro Brasil!’. Mas independente dos riscos que estou assumindo e sei que estou assumindo muitos riscos, o quanto eu poderia estar ganhando, eu não posso trair meu sonho. Existe um valor muito maior que é seu sonho. O que vai ficar comigo pra sempre é a quantidade de conhecimento que eu vou conseguir ter. Isso é uma joia de grande valor. Isso vale mais de qualquer dinheiro, de que qualquer publicidade, que qualquer fama e qualquer festa. Vou em setembro para o meu PhD. É o meu amor e é o meu sonho e não largaria isso”, contou.

Gil do Vigor terminou a entrevista dizendo que seu curso terá a duração de 6 anos, mas que ele sempre voltará ao Brasil nas suas férias para muitas cachorradas.